Por TALITA GASPAR
Tubarão
Salão espaçoso, inacabado, pouco iluminado, envolto ao verde de uma comunidade distante. Um rio, açudes, muito verde e simplicidade rodeavam o local, já cheio de gente. Agricultores, técnicos agrícolas, professores, agrônomos, estudantes, policiais ambientais e até um promotor público estavam presentes. Crianças, jovens, adultos, velhos. Alguns simples, outros nem tanto.
Esse foi o cenário da Oficina de Legislação Ambiental e Recursos Hídricos, realizada no último dia 24 de setembro, na comunidade de Caruru, São Martinho. O evento teve participação do Ibama, Polícia Ambiental, Prefeitura Municipal, Unisul e Epagri. O objetivo inicial era despertar no público um interesse pelas questões ambientais, destacando o tema água, numa tentativa de reversão da degradação observada atualmente. No entanto, reversão mesmo se deu no rumo da prosa e na idéia de que o povo não dá muita importância às questões ambientais.
O previsto era focar o tema água, já que a comunidade de Caruru faz parte do projeto Microbacias 2, parceria da Epagri com o Governo do Estado. Mas, os policiais ambientais, ao exporem suas idéias e trabalho, deram início a um grande debate, que ultrapassaria o tema inicial e balançaria alguns pré-conceitos. "O principal problema do meio ambiente é a falta de conscientização das pessoas acerca da preservação. Por isso nós estamos desenvolvendo um trabalho de educação ambiental nas escolas", afirma o policial ambiental Vanderlei da Silva. Os policiais acreditam que apostando nas crianças, garantem uma conscientização futura.
Foi então que o público entrou em ação, fazendo várias perguntas e exigências, algumas um tanto embaraçosas, exigindo maior fiscalização por parte das entidades responsáveis. "Não existe um plano de incentivo à preservação, e a fiscalização é ineficiente. Falta alguma coisa que atue de forma maciça, mais presente", exige a agricultora Silmara Reis. O representante do Ibama, durante sua exposição, declarou que é apenas um órgão fiscalizador e passou a responsabilidade de novos projetos à Fatma, que não estava presente para exercer seu direito de resposta. Já a Polícia Ambiental revelou que não dá conta da demanda de denúncias. "Temos uma equipe de apenas 39 pessoas para atender a 20 municípios", declara o policial Vanderlei da Silva. Em relação aos recursos, a situação fica ainda pior, pois tem à disposição apenas duas viaturas.
Durante a exposição da Prefeitura Municipal e Unisul, o público continuou questionando, instigando um debate inconformado, desviando totalmente o tema para outros considerados mais importantes no momento. Um deles gerou grande discussão e polêmica: o desmatamento das margens do rio Tubarão, autorizado pela prefeitura. O público, de forma geral, criticou ações e mudanças feitas pela mesma nos últimos meses.
É, no mínimo, interessante saber que uma comunidade tão distante como a de Caruru, importa-se com as margens do rio Tubarão. Isso revela muitas coisas: revela um interesse da sociedade pela questão ambiental; revela uma sociedade ligada no que fazem com o cenário municipal; revela uma sociedade exigente, inquieta, ansiosa por mudanças.
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