Por VICENTE PEREIRA
Criciúma
Amanhece e a redação do jornal abre. Um dos primeiros semblantes a aparecer é de um profissional com uma mochila a tira colo e uma máquina fotográfica em mãos. Um olhar atento e criativo caracteriza a profissão. Maurício Vieira, que tem 35 anos e a alegria de uma criança é repórter fotográfico. O seu dia começa cedo, mas isso não é nenhum incômodo.
Vieira exerce essa profissão há 17 anos. "Sou apaixonado pelo que faço", relata. E a prova de que quem faz o que gosta, faz bem feito, são os prêmios que ele já ganhou com os seus "cliques". O fotógrafo foi vencedor duas vezes do Prêmio Acic
(Associação Comercial e Industrial de Criciúma) de Jornalismo. O seu primeiro trabalho premiado foi o retrato de um mineiro (característica da cidade de Criciúma) e o segundo no final do ano passado com a foto de um produtor de milho. Uma fotografia sua também recebeu prêmio da Revista Imprensa. Foi um trabalho que ele fez de uma enxurrada em Blumenau. Na ocasião, 25 moradores de uma mesma rua morreram. Ele teve seu traba-lho reconhecido, mas diz que esse tipo de foto não lhe vangloria. "Detesto fazer tragédia".
Vieira, que nasceu em Lages-SC, começou trabalhando num laboratório, revelando os retratos de terceiros. O interesse veio e com ele o manuseio de máquinas fotográficas também. Trabalhou oito anos no Diário Catarinense, três no Jornal de Santa Catarina e um ano no Jornal O Estado, antes de vir para o Jornal da Manhã onde trabalha há quase cinco anos. É também free lancer da Agência Futurapress e Lance, de São Paulo. Trabalhos publicitários ele faz muito poucos, porque por trás daquilo tem toda uma produção. "No jornalismo o que interessa é a informação", declara defendendo o trabalho jornalístico.
O fotógrafo, além de outras editorias, faz a cobertura esportiva do veículo onde trabalha. Na cidade de Criciúma, o esporte mais evidente é o futebol, já que o Criciúma EC voltou à Série A do Campeonato Brasileiro. Vieira diz que a cobertura de esporte é diferente. "É no instante, no momen-to". As fotos esportivas são batidas em alta velocidade e são fechadas, ou seja, o enquadramento é feito em lances da partida e principalmente em detalhes. "Nem sempre a foto do gol é a mais importante... se tu estás cobrindo o time que está perdendo, tem que ter uma foto de tristeza". Para ele, esses detalhes são importantes, por isso tem que estar "sempre ligado", enfatizou.
Anoitece o dia, e engana-se quem imagina que a profissão e a máquina fotográfica ficam de lado. O equipamento do jornal fica lá, mas a atitude de fotógrafo não. "Sempre tenho a minha máquina particular" e onde o fotógrafo vai, o seu equipamento vai junto.
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